domingo, 30 de agosto de 2009

A Ordem do Dragão

Ordem do Dragão
Sacro Imperador Romano Sigismundo

A Ordem do Dragão (Drachenorden, em alemão; Societas Draconistrarum, em latim) foi formalmente criada no ano de 1418 por édito do Sacro Imperador Romano Sigismundo, e da sua segunda esposa Barbara Cilli após o concílio de Constance, com o principal intuito de defender a Igreja contra os hereges, em especial os Hussitas. O símbolo da Ordem do Dragão representa a destruição da Heresia (imagem de um Dragão circular com sua cauda enrolada em torno de seu pescoço), tendo a Ordem florescido e criado mais fortes laços na Alemanha e na Itália sendo os seus Membros conhecidos por Draconicos.

Na Segunda metade do século XIV muitos Reis criaram as suas próprias Ordens de Cavaleiros de forma a servirem de apoio e manutenção dos seus tronos. Exemplos notáveis foram sem dúvida a Ordem da Jarreteira em Inglaterra, a Ordem do Cântaro em Aragão e a Ordem da Faixa na Boémia, etc. Ao contrário das famosas Ordens Religioso Militares tais como os Templários ou os Hospitalarios estas Ordens eram de natureza secular. Com a decisiva vitória na Bósnia, Sigismundo, decidiu formar a sua própria Ordem Secular, sendo os seus membros importantes figuras politicas aliadas e seus respectivos vassalos. O nome da Ordem tem por referência e consequente influência a Ordem de São Jorge (1318). Em 13 de Dezembro de 1418 a Carta de formação da Ordem foi anunciada publicamente, tendo sido indicada a sua génese como a Ordem a defensora da Cruz contra os seus inimigos, particularmente os Otomanos e os Hussitas. Os vinte e quatro membros fundadores foram investidos nesse mesmo ano tendo ao longo dos tempos figuras proeminentes pertencido a Ordem, tais como:

Sigismundo de Luxemburgo, Rei da Hungria

Stefan Lazareviæ da Sérvia

Alfonso, Rei de Aragão e Nápoles

Ladislaus II Rei da Polónia

Vytautas, Grão-Principe da Lituânia

Ernesto Duque da Austria

Cristovão III , Duque da Bavaria e Rei da Dinamarca

Pipo de Ozora

Stefan Lazarevic, déspota da Sérvia

Tomás de Mowbray , Duque de Norfolk (após 1439)

Vlad Tepes , Duque da Valáquia (após 1431)


Nos documentos existentes na Universidade de Bucareste pode-se ler no édito real original o seguinte: “O Quam Misericors est Deus, Pius et Justus”, o que se pensa que poderia fazer parte do próprio símbolo da Ordem.

Em 1431, Sigismundo optou por expandir as fileiras da Ordem e para consecução desse objectivo convidou um grande número de políticos influentes bem como um conjunto de nobres militares e seus vassalos para doutrina-los e investi-los na Ordem do Dragão. Presente nesta cerimónia encontrava-se Vlad II, Dracul, o qual estava investido de poder como Fronteiro-Mor comandante e guardião das fronteiras e passagens da Transilvânia para a Valáquia.


Vlad II, Dracul era o filho ilegítimo de um antigo Príncipe (Voivoda), Mircea Cel Bătrân, (Mircea, o Velho), tendo sido Príncipe da Valáquia (parte integrante da actual Roménia) entre 1436-1447 conseguindo o trono Valaquiano após sair do exílio na Transilvânia e ter vencido o príncipe Alexandru I. Adoptou o nome Dracul (o termo com as suas origens na palavra em latim “draco”, significando “O Dragão”) aquando da sua ordenação como Cavaleiro da Ordem do Dragão pelo Sacro Imperador Romano e Rei da Hungria, Sigismundo Von Luxemburg extremamente orgulhoso deste título e símbolo incorporou-o no seu brasão de família, sendo um dos mais populares defensores da Europa contra a expansão Otomana, sendo apenas ensombrado nos seus feitos pelo seu filho Vlad Tepes, o Empalador, futuro Vlad III). Seu filho Vlad Tepes usou o nome “Draculea” no contexto de “filho de Dracul” ou seja “filho daquele que foi membro da Ordem do Dragão”, uma vez que foi usado como título Honorífico. A palavra “dracul”, entretanto, possuía um segundo significado (“diabo”) que foi aplicado aos membros da família Draculea por seus inimigos e possivelmente também por camponeses supersticiosos.


Este acréscimo de novos membros a Ordem originou a criação de uma nova hierarquia dentro da Ordem, onde cada nova classe tinha uma variação no símbolo da Ordem, embora o motivo dominante fosse sem qualquer dúvida o Dragão. Mudanças comuns incluíam inscrições como “O Quam Misericors est Deus” ("Oh, quão misericordioso é Deus") e “Justus et Paciens” ("Justo and pacifico"). A Ordem permaneceu proeminente até a morte Sigismundo em 1437, altura em que sem um forte financiador rapidamente perdeu influência e prestígio.

Poucos artefactos históricos da Ordem subsistiram até hoje, contudo o símbolo da Ordem foi adoptado por muitas famílias nobres nos seus crestos por toda a Europa. Uma cópia datada do ano de 1707 do édito real da formação da Ordem do Dragão é o mais velho artefacto histórico existente pertencente a Ordem e encontra-se presente devidamente acondicionado na Universidade de Bucareste.

1 comentário:

broppoli disse...

obrigado pela materia concisa e de largo conteudo explicattivo, era justamente o que eu procurava... infelizmente nao pude saciar minha vontade de saber se foi uma ordem de origem mistica, ou ate mesmo do que se "suspeita" de fonte satanica...

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